Desde 2008 o IFPB participa do Programa Mulheres Mil. A turma, composta por 34 moradoras das comunidades São Lourenço e Casa Branca, região ribeirinha do município de Bayeux, é a pioneira na Paraíba. Com a formatura prevista para fevereiro, nos últimos seis meses as alunas têm participado da etapa de qualificação profissional com aulas teóricas, iniciadas sob a coordenação da professora Zélia Batista.
Em janeiro deste ano, já sob a coordenação da professora Eudna Barbosa (Baby), foi iniciada a parte prática da qualificação. Parte das aulas está sendo realizada no Centro de Formação em Pesca e Cultura Marinha (CFPCM) em Cabedelo, onde a professora Margareth Rocha ministra o módulo prático de “Processamento do pescado”. Já os módulos “Arte da Pesca”, ministrado pelo professor Alberto Motta, e “Artesanato”, ministrado pela artesã Maria José Chiba, continuam sendo ministrados no Campus João Pessoa.
Nas aulas sobre o Processamento do Pescado, as alunas estão aprendendo técnicas de beneficiamento do peixe, cujo processo começa na captura e vai até a oferta do produto final ao consumidor. Segundo a professora Margareth, o objetivo é que alunas entendam a importância de entregar ao consumidor um produto de qualidade e com a segurança alimentar garantida. “Elas estão aprendendo boas práticas pesqueiras de fabricação, conservação e elaboração de produtos com valor agregado do pescado”, frisou.
Já na parte prática sobre a Arte da Pesca, as alunas estão aprendendo como produzir apetrechos de captura de peixes, como a fabricação de rede. Como algumas alunas já trabalham com pesca, as aulas têm se adequado a realidade delas. “Agora elas estão aprendendo a confeccionar uma das artes de pesca, que é a costura de redes. Depois elas irão aprender a fazer remendo em redes”, contou o professor Alberto.
Para essas mulheres que vivem próximas a rio, e como muitas delas trabalham diretamente com pesca, as aulas têm sido direcionadas a atividades que já eram desenvolvidas e outras que poderão ser postas em prática depois do curso. É o caso das aulas de artesanato. Nelas, as alunas estão aprendendo a aproveitar até as escamas dos peixes.
Antes da utilização, as escamas passam por um tratamento químico que facilita o manuseio e possibilita sua utilização como matéria-prima do artesanato. Segundo a artesã Maria José Chiba, depois das aulas as alunas serão capazes de produzir materiais como flores artificiais, bijuterias, tiaras para cabelos e outros produtos artesanais.
Mercado de trabalho
Durante a fase final do curso, a primeira turma do Programa Mulheres Mil na Paraíba está sendo preparada para novos desafios. O primeiro é a inserção no mercado de trabalho. Para orientar as alunas sobre o processo de seleção do mercado de trabalho, a servidora do IFPB, Fátima Souto, que tem formação em Psicologia, ofereceu sua contribuição à qualificação profissional, ministrando uma palestra sobre como se portar em uma entrevista de emprego.
As alunas participaram de uma simulação de entrevista e enquanto a atividade era desenvolvida, a palestrante interrompia e dava várias dicas. Ela lembrou a importância de se ter uma boa postura. “A primeira impressão é a que fica. Então é bom começar bem, sendo educada. Ao chegar na empresa deve-se cumprimentar todos com bom dia ou boa tarde, falar com licença”, enfatizou Fátima.
Outro ponto salientado foi a aparência. A palestrante destacou a importância de uma apresentação visual discreta e equilibrada. “Não usem bijuterias demais, roupas curtas ou decotadas demais. Vistam-se da maneira mais discreta que puderem, mas sem deixar de serem vocês mesmas”.
Segundo Fátima ao buscar emprego o candidato deve encarar a entrevista de emprego como uma conversa e tentar relaxar. Além disso, dar respostas verdadeiras da forma mais clara, precisa e simples. “O entrevistador sabe quando o entrevistado está enrolando”, alertou a palestrante.
Perspectiva de Futuro
Aluna do curso de Processamento de Pescado, Marta de Lima, 39 anos, que estudou até a última série do Ensino Fundamental, há cinco meses conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada.
Há 18 anos sem frequentar uma sala de aula, depois de retomar seus estudos por causa do programa, Marta pretende prosseguir estudando, em busca de novas possibilidades. “Só de voltar a estudar realizei um grande sonho. Hoje, eu me sinto outra pessoa”, diz orgulhosa de seu recomeço.
O Instituto Federal da Paraíba espera atender mais 400 mulheres em novas turmas, que terão início em fevereiro. Serão oferecidos cursos profissionalizantes nas áreas de pesca, moda e confecção, artesanato e produção de artigos em couro.